Do Entrudo ao Sambódromo: A Evolução da Nossa Folia
Para entender o Carnaval brasileiro, é preciso olhar para o passado. O que hoje é uma celebração monumental, coreografada e de visibilidade global, nasceu de manifestações muito mais caóticas, populares e, por vezes, controversas. A história do Carnaval é a história da própria formação da identidade brasileira: um encontro constante entre a herança europeia e a força inventiva das culturas africana e indígena.
O Caótico “Entrudo” Colonial
Antes do brilho das fantasias e do ritmo do samba, o Brasil colonial conhecia o Entrudo. De origem portuguesa, era uma festa marcada por brincadeiras agressivas: pessoas jogavam água, farinha, tintas e objetos umas nas outras. Era uma celebração de rua, sem regras, que frequentemente resultava em confusão e intervenção das autoridades da época. Por ser uma festa “de baixo calão”, o Entrudo era combatido pela elite imperial, que buscava modelos mais europeus e “civilizados” de celebração.
O Nascimento das Sociedades Carnavalescas
No século XIX, o Carnaval começou a ganhar novos contornos. Surgiram as Sociedades Carnavalescas, grandes clubes que organizavam desfiles com carros alegóricos, bandas e uma estética inspirada nos bailes de máscaras europeus. Foi o primeiro passo para a organização do desfile como espetáculo. No entanto, o Carnaval só encontrou sua alma definitiva com a incorporação das matrizes musicais africanas, especificamente o samba, que brotava nos terreiros das comunidades negras.
A Consolidação das Escolas de Samba
Na década de 1920 e 1930, o surgimento das Escolas de Samba no Rio de Janeiro mudou o jogo. A desordem do Entrudo deu lugar a uma organização complexa: enredo, alas, bateria e mestre-sala. O Carnaval deixou de ser apenas uma “brincadeira de rua” para se tornar uma instituição cultural. Com a construção dos Sambódromos, décadas mais tarde, o que era a celebração espontânea do povo foi elevada ao nível de uma das maiores produções artísticas do mundo.
Para quem deseja pesquisar documentos históricos, fotografias de época e registros sobre as transformações sociais do Carnaval, o acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa é uma fonte essencial e indispensável para entender como a nossa sociedade negociou e definiu o que é ser “carnavalesco”.
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Por que o Entrudo foi proibido?
As autoridades imperiais consideravam o Entrudo uma prática incivilizada, perigosa e que causava distúrbios na ordem pública. A elite buscava importar o modelo dos bailes de salão europeus, que eram vistos como um sinal de progresso e refinamento.
Qual foi o papel do samba na transformação do Carnaval?
O samba trouxe a identidade rítmica e a coesão comunitária. Ao organizar o povo em agremiações, as Escolas de Samba transformaram o Carnaval em uma vitrine da cultura afro-brasileira, dando voz e protagonismo às periferias.










